O pré-candidato ao Senado Wilson Lima afirmou que pretende levar ao Congresso Nacional a experiência acumulada durante os anos em que esteve à frente do Governo do Amazonas e em missões internacionais. Em entrevista ao podcast JC às 15h, do Jornal do Commercio, nesta quinta-feira (16/07), ele destacou que participou de mais de 80 fóruns nacionais e internacionais e defendeu que sua trajetória une o conhecimento da realidade do interior do estado à capacidade de dialogar com líderes e investidores de diferentes países.
Durante a entrevista, Wilson afirmou que mantém suas origens como caboclo amazonense, mas que também se preparou para representar o estado em agendas internacionais.
“Não perdi o meu costume do interior, de caboclo que toma açaí e tira a espinha do jaraqui, mas também sei colocar um terno e uma gravata, ir ao exterior, falar inglês e defender os interesses da Amazônia. Eu consigo falar e defender o meu povo. Isso é o mais importante”, declarou.
Segundo o pré-candidato, essa experiência foi consolidada ao longo de viagens e encontros realizados em países como Emirados Árabes Unidos, Reino Unido, Estados Unidos, China, México e Espanha, além da participação em conferências voltadas ao desenvolvimento sustentável e às mudanças climáticas.
Wilson lembrou que presidiu a Força-Tarefa de Governadores para o Clima e Florestas (GCF Task Force) e representou o Amazonas em eventos internacionais. De acordo com ele, a comunicação direta com autoridades estrangeiras fortalece a defesa dos interesses da região.
“Quando o governador do Amazonas chega a uma COP ou a um evento internacional, muitas pessoas não sabem diferenciar Amazônia de Amazonas. Para elas, chegou o governador da Amazônia. Quando você fala na língua deles, passa confiança e credibilidade, e eles começam a tratar você de forma diferente”, afirmou.
Defesa da Zona Franca
Wilson Lima também disse que uma das prioridades de sua atuação no Senado será a defesa da Zona Franca de Manaus. Segundo ele, o modelo industrial precisa de segurança jurídica e competitividade para continuar atraindo investimentos e gerando empregos no estado.
Ele destacou que a Zona Franca reúne mais de 500 empresas, responde por mais de 500 mil empregos e encerrou 2025 com faturamento de R$ 277 bilhões, crescimento de 117% em comparação com 2019.
Ainda segundo os dados apresentados, entre 2019 e abril de 2026 o Conselho de Desenvolvimento do Estado do Amazonas (Codam) aprovou 1.793 projetos, que somam R$ 65,5 bilhões em investimentos e a previsão de mais de 40,7 mil novos empregos. No Polo Industrial de Manaus, o número de trabalhadores passou de 89,7 mil para 130,4 mil no período.
Wilson também ressaltou que o Produto Interno Bruto (PIB) do Amazonas alcançou R$ 187 bilhões em 2025, com expectativa de chegar a R$ 202 bilhões em 2026, além da redução da taxa de desemprego para o menor nível dos últimos 13 anos.
Interior e bioeconomia
Além da indústria, o pré-candidato defendeu o fortalecimento da bioeconomia como alternativa para ampliar a geração de renda no interior do Amazonas. Ele citou produtos como couro de pirarucu, couro de jacaré, castanha e essências de pau-rosa como exemplos de cadeias produtivas que podem receber investimentos em beneficiamento dentro do próprio estado.
Para Wilson, o desafio é atrair empresas que agreguem valor às matérias-primas produzidas na região, em vez de comercializá-las apenas em estado bruto.
“A gente precisa trazer essas empresas para que elas não apenas comprem o produto in natura, mas instalem aqui suas linhas de beneficiamento. Precisamos criar infraestrutura, porque o empresário faz o cálculo da logística e precisa de energia de qualidade, internet e das condições básicas para garantir a viabilidade do empreendimento”, afirmou.
Ele também relacionou o desenvolvimento econômico à expansão da infraestrutura energética e citou como exemplos a abertura do mercado de gás natural, a implantação da primeira etapa do projeto Azulão 950 e a construção de uma usina termelétrica no Distrito Industrial, com investimento estimado em R$ 1,2 bilhão. Segundo Wilson, essas iniciativas permitiram que o Amazonas passasse a produzir mais energia elétrica do que consome.








