“As necessidades do Amazonas estão acima de questões ideológicas”, afirma Wilson Lima

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Em entrevista ao programa Ponto Final, pré-candidato ao Senado destacou que entregou o Estado melhor do que recebeu em todas as áreas, entre elas saúde, segurança e assistência aos mais vulneráveis

O pré-candidato ao Senado Wilson Lima afirmou que as necessidades da população e os interesses do Amazonas devem estar acima de questões ideológicas, partidárias ou eleitorais. Durante entrevista ao programa Ponto Final, do site Diário da Capital, nesta quarta-feira (29/07), ele defendeu união em torno de pautas prioritárias, como o combate ao crime organizado, a proteção às famílias, a segurança alimentar e a pavimentação da BR-319.

“Acima de questões ideológicas, estão as questões do Estado do Amazonas, que precisam ser tocadas em frente, como o combate ao crime organizado e a proteção às famílias. Disso eu não abro mão. Isso independe de quem é bolsonarista, de quem te aceita ou de quem não te aceita. Em qualquer grupo, você vai ter essa pluralidade de gente que gosta e de gente que não gosta de você. Faz parte do processo”, afirmou.

Ao falar sobre o Auxílio Estadual Permanente, Wilson Lima disse que o objetivo de qualquer governo deve ser criar condições para que as pessoas conquistem autonomia por meio do trabalho. Ressaltou, porém, que a realidade social do Amazonas ainda exige políticas de transferência de renda, segurança alimentar e combate à pobreza.

“O nosso desejo era que ninguém no Amazonas e no país precisasse viver de benefícios do governo, que todos tivessem oportunidade de trabalhar e garantir o sustento da família como resultado do seu trabalho. Mas, infelizmente, ainda temos um percentual muito significativo de pessoas na linha da pobreza ou abaixo dela, que às vezes não têm o que colocar na mesa. Esse auxílio tem sido muito importante para essas famílias”, declarou.

Wilson Lima também ressaltou que o apoio às famílias em situação de vulnerabilidade não pode ser tratado como uma disputa ideológica. Ele citou, além do Auxílio Estadual, os restaurantes populares Prato Cheio, que servem refeições por R$ 1, e a distribuição gratuita de sopas.

“A ajuda dos restaurantes populares Prato Cheio e as sopas distribuídas gratuitamente são uma questão humanitária, que está acima de qualquer questão ideológica. Garantir o sustento das pessoas, a segurança nutricional e a segurança alimentar está acima de qualquer questão ideológica”, reforçou.

Criado durante a gestão Wilson Lima, o Auxílio Estadual Permanente atende 300 mil famílias com R$ 150 mensais. O Estado investe R$ 45 milhões por mês e R$ 540 milhões por ano no programa. Diferentemente do benefício estadual, o Auxílio Manauara foi criado pela Prefeitura de Manaus, em 2021, com caráter emergencial e duração inicialmente prevista de seis meses, alcançando 40 mil famílias, mas posteriormente foi encerrado.

Wilson Lima criticou o que classificou como um “leilão” de propostas em torno do benefício às vésperas do período eleitoral. Ele defendeu o aumento anunciado pelo governador Roberto Cidade, de R$ 150 para R$ 250, por considerar que a medida foi planejada para caber no orçamento estadual. Também alertou que qualquer promessa deve apontar a origem dos recursos e preservar a sustentabilidade financeira do programa.

“No valor de hoje, são 300 mil famílias atendidas. Isso significa que, todos os meses, o Estado coloca R$ 45 milhões de comida na mesa dessas pessoas. Se você dobra esse valor, vai para R$ 90 milhões em um mês e chega a mais de R$ 1 bilhão por ano. O governador Roberto Cidade anunciou um aumento de R$ 100, e isso cabe no orçamento do Estado para o próximo ano. É preciso ter responsabilidade ao tratar de uma política pública tão importante”, ressaltou.

Balanço

Durante a entrevista, Wilson Lima também fez um balanço de sua passagem pelo Governo do Amazonas. Embora tenha reconhecido que ainda existem desafios, afirmou que houve avanços em todas as áreas e lembrou que chegou ao cargo em 2018 sem o apoio dos grupos que, segundo ele, controlavam a política estadual havia quatro décadas.

“O Amazonas não está hoje do jeito que eu gostaria, queria que estivesse muito melhor. Mas garanto que, em todas as áreas, nós entregamos o Estado melhor do que recebemos lá atrás”, afirmou.

Wilson Lima lembrou que foi eleito em 2018 contrariando as previsões políticas e que, quatro anos depois, tornou-se novamente o governador mais votado da história do Amazonas, superando o próprio recorde. Para ele, os ataques que enfrentou foram consequência do rompimento com grupos tradicionais e da decisão de governar sem depender do apadrinhamento dessas lideranças.

“Em 2018, a gente rompeu um ciclo que se repetia durante 40 anos. Era improvável naquele momento que eu pudesse ser eleito governador. Isso causou uma revolta muito grande no status quo, naqueles que se consideravam donos da política. Eu não dependi do apadrinhamento de nenhum deles para chegar à condição a que cheguei. Fui, por duas vezes, o governador mais votado da história do Amazonas, superando em 2022 o meu próprio recorde”, declarou.

BR-319

Ao tratar da BR-319, Wilson Lima afirmou que falta uma decisão definitiva e vontade política para a pavimentação da rodovia. Segundo ele, todas as providências de responsabilidade do Governo do Amazonas na área ambiental foram adotadas durante sua gestão, incluindo as licenças que competiam ao Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam).

“É preciso que haja uma decisão definitiva com relação à BR-319 e vontade política. É preciso articulação, porque há um lobby muito grande para que efetivamente a BR-319 não seja pavimentada, e isso não tem a ver com preservação ambiental. Eu fiz tudo o que era possível enquanto governador, inclusive tudo o que era de responsabilidade do Governo do Estado no licenciamento ambiental. Não ficou uma licença ambiental que a gente não tivesse dado”, declarou.

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