A candidata a vice-governadora do Amazonas pelo Avante, na chapa de David Almeida, Dra. Shádia, defendeu uma estratégia de integração entre as redes pública e privada de saúde como alternativa para enfrentar as longas filas do Sistema Único de Saúde (SUS) no Amazonas. A proposta prevê a contratação de hospitais particulares para a realização de procedimentos e cirurgias, utilizando estruturas que, segundo ela, atualmente estão ociosas.
A medida foi apresentada em entrevista ao programa Antena 1, durante discussão sobre os planos do grupo para reduzir a fila de pacientes que aguardam por cirurgias e outros procedimentos no Estado. Questionada sobre como a proposta poderia funcionar na prática, a ex-secretária municipal de saúde explicou que a utilização complementar da rede privada é permitida pelas políticas públicas do SUS e pelo Ministério da Saúde.
“O SUS permite essa política, isso é validado pelo Ministério da Saúde e pelas políticas públicas do SUS, a contratação de hospitais particulares”, afirmou.
Segundo a médica, a estratégia poderia ser executada por meio da contratação de procedimentos específicos junto a hospitais particulares. O poder público definiria a quantidade de cirurgias necessárias e negociaria com as unidades a realização dos atendimentos, criando uma programação capaz de ampliar a oferta de procedimentos.
Como exemplo, a candidata citou a possibilidade de contratar mil cirurgias de vesícula de um hospital particular e distribuir a realização dos procedimentos ao longo das semanas.
“Eu quero comprar da Beneficente Portuguesa mil cirurgias de vesícula, eu posso fazer isso. Eu faço 50 a cada semana”, exemplificou.
A proposta, segundo ela, permitiria que o Estado passasse a utilizar de maneira mais ampla a capacidade instalada existente em Manaus, sem depender exclusivamente da estrutura dos hospitais públicos para atender à demanda reprimida.
Leitos e centros cirúrgicos ociosos
Dra. Shádia também destacou que parte da estrutura da rede particular poderia ser aproveitada para atender pacientes do SUS. De acordo com a candidata, existem leitos e centros cirúrgicos que não estão sendo utilizados em sua capacidade total e que poderiam ser incorporados à estratégia por meio de negociação com o poder público.
“Existem leitos em hospitais particulares que estão ociosos e a gente pode negociar um valor”, explicou.
Na avaliação dela, a utilização dessas estruturas também poderia representar uma forma de reduzir o desperdício de recursos e aproveitar equipamentos que já estão disponíveis.
“Existe o teto do SUS, eu posso oferecer a tabela SUS e, se assim o hospital entender que dá para fazer, ele vai além de estar ganhando, deixando porque um leito, um centro cirúrgico ocioso. Custa dinheiro. Isso é um desperdício”, disse.
Integração entre as redes para enfrentar a fila
A proposta defendida por Dra. Shádia tem como objetivo ampliar a capacidade de atendimento do Estado por meio da contratação de serviços privados, utilizando a rede particular de forma complementar ao sistema público.
A candidata defende que a utilização dessa estrutura pode ajudar a acelerar a realização de cirurgias eletivas e outros procedimentos, especialmente diante da demanda acumulada de pacientes que aguardam atendimento.
——————
Texto: Eliana Nascimento
Fotos: Antônio Pereira








