MPAM investiga troca de cabos por alumínio na rede elétrica de Manaus após queixas de consumidores

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Inquérito apura segurança dos novos condutores, cumprimento de normas técnicas e possível impacto da substituição na tarifa de energia

O Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) instaurou um inquérito civil para investigar a legalidade, a segurança e os possíveis impactos da substituição de cabos da rede elétrica realizada pela concessionária Âmbar Energia em Manaus.

A apuração ocorre em meio a reclamações de consumidores envolvendo oscilações de energia, interrupções no fornecimento, danos a eletrodomésticos e relatos de ocorrências envolvendo curtos-circuitos e princípios de incêndio.

Um dos principais pontos sob análise é a utilização de condutores de alumínio em substituição à fiação anteriormente instalada na rede.

MP quer saber se novos cabos são seguros para Manaus

A investigação é conduzida conjuntamente pelas 51ª e 81ª Promotorias de Justiça Especializadas na Proteção e Defesa dos Direitos do Consumidor (Prodecon).

Entre os pontos que deverão ser analisados estão a adequação técnica dos materiais utilizados, o cumprimento das normas regulatórias e de segurança e o comportamento dos novos condutores diante das condições climáticas de Manaus, cidade marcada por temperaturas elevadas durante grande parte do ano.

O Ministério Público também pretende esclarecer se a mudança poderá provocar algum reflexo financeiro para os consumidores, especialmente por meio de eventual repasse dos investimentos para a tarifa de energia elétrica.

Órgãos terão que prestar esclarecimentos

Como parte do inquérito, foram expedidos ofícios estabelecendo prazo de dez dias úteis para o envio de informações.

A Âmbar Energia deverá apresentar as justificativas técnicas e contratuais para a substituição dos cabos, o cronograma das intervenções, documentos e laudos relacionados à segurança dos materiais empregados e informações sobre possíveis impactos financeiros para os consumidores.

A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) deverá esclarecer se a alteração está prevista ou respaldada pelo contrato de concessão ou pelos planos de investimentos submetidos à regulação.

Já o Inmetro e o Ipem-AM foram acionados para informar sobre certificações e testes de conformidade dos cabos, inclusive quanto ao atendimento às normas técnicas aplicáveis.

O Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) deverá fornecer informações relacionadas a ocorrências de curtos-circuitos e outros sinistros envolvendo a rede elétrica.

O Procon-AM e o Procon Manaus, por sua vez, deverão reunir informações sobre reclamações de consumidores envolvendo danos materiais, oscilações, interrupções no fornecimento e eventuais alterações consideradas atípicas nas contas de energia.

MPAM quer avaliar impacto no bolso do consumidor

A promotora de Justiça Sheyla Andrade destacou que a investigação busca avaliar tanto a segurança da mudança quanto suas possíveis consequências econômicas.

“Nossa atuação parte da necessidade de se investigar o impacto econômico direto e indireto dessa transição estrutural, especificamente se os custos das obras e a mudança do material condutor refletirão em aumento das tarifas repassadas aos consumidores ou em variações atípicas na medição do consumo”, afirmou.

Com isso, o Ministério Público pretende esclarecer se os investimentos realizados na substituição da rede poderão, direta ou indiretamente, chegar à conta de energia paga pela população.

Quedas de energia também estão sob acompanhamento

O novo inquérito se soma a outro procedimento que já tramita na 51ª Prodecon e acompanha problemas relacionados às frequentes interrupções no fornecimento de energia e à regularidade dos reajustes tarifários.

Agora, o MPAM aguarda o término dos prazos concedidos aos órgãos e instituições envolvidos para analisar as respostas e definir os próximos passos da investigação.

A abertura do inquérito não significa, por si só, que tenham sido constatadas irregularidades na substituição dos cabos. A apuração deverá justamente determinar se o procedimento adotado pela concessionária atende às exigências técnicas, regulatórias e de segurança e se existe relação entre as intervenções e os problemas relatados pelos consumidores.

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