Teatros da Amazônia são celebrados como Patrimônio Mundial em solenidade no Teatro Amazonas

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Entrega do certificado de reconhecimento oficializa Teatro Amazonas e Theatro da Paz como Patrimônios Mundiais da Unesco

O Teatro Amazonas recebeu, na noite de terça-feira (03/11), a cerimônia de reconhecimento dos Teatros da Amazônia como Patrimônio Mundial Cultural da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco). A solenidade reuniu autoridades estaduais e municipais, representantes da organização internacional e instituições responsáveis pela preservação do patrimônio histórico e cultural.

O reconhecimento dos chamados “Teatros da Amazônia” foi aprovado em 27 de julho de 2026, durante a 48ª sessão do Comitê do Patrimônio Mundial, realizada em Busan, na Coreia do Sul. Além do Teatro Amazonas, em Manaus, administrado pelo Governo do Amazonas, por meio da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa, a conquista contempla o Theatro da Paz, em Belém.

Com a decisão, os dois monumentos passaram a integrar a lista de Patrimônios Mundiais da Unesco, tornando-se os primeiros bens culturais da Região Norte do Brasil a receber esse reconhecimento internacional.

A conquista é resultado de um trabalho articulado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), os ministérios da Cultura e das Relações Exteriores e os Governos do Amazonas e do Pará, por meio das suas respectivas Secretarias de Estado de Cultura.

Além da entrega do certificado de reconhecimento, a cerimônia também foi marcada pelo espetáculo cênico-musical “Sons do Amazonas”, com apresentações da Amazonas Band, intérpretes amazonenses e do Balé Folclórico do Amazonas.

Antes do espetáculo artístico que marcou a programação, representantes das instituições e autoridades presentes discursaram sobre a importância do reconhecimento internacional para a história e a cultura amazônica. As manifestações ocorreram simultaneamente à programação cultural realizada no Largo de São Sebastião, que também integrou as celebrações em Manaus.

Durante a cerimônia, o governador Roberto Cidade, destacou a importância histórica do Teatro Amazonas e relacionou o reconhecimento ao legado do ciclo da borracha.

“Hoje, o Amazonas recebe um título internacional, o maior patrimônio cultural do nosso estado, que veio do auge do ciclo da borracha. Foi inaugurado em 1896 e, com certeza, hoje recebe esse título mais do que merecido, que engrandece a população de todo o estado”, afirmou Roberto Cidade.

FOTO: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

A representante Unesco Brasil, Marlova Noleto, ressaltou que a inclusão dos teatros na lista internacional amplia a responsabilidade coletiva pela preservação dos espaços. Segundo ela, o reconhecimento não representa um ponto de chegada, mas o início de uma nova etapa de proteção e valorização.

“A partir de agora, a humanidade passa também a cuidar dos Teatros da Amazônia. Não é um ponto de chegada, é um ponto de partida”, declarou a representante Unesco Brasil.

Patrimônio, identidade e acesso à cultura

O secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André, destacou a importância histórica do Teatro Amazonas e a relação dos equipamentos com a identidade cultural da região, construído ao longo de gerações e que o reconhecimento internacional amplia a valorização da história amazônica.

FOTO: Gabi Vitim/Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa

“Um dia histórico para o estado do Amazonas e para a cultura amazonense. Hoje consolidamos o reconhecimento deste magnífico equipamento cultural, que há séculos está encravado no coração da floresta. É algo que nos enche de orgulho e também nos traz responsabilidade”, destacou.

A diretora do Teatro Amazonas, Elizabeth Cantanhede, destacou que o reconhecimento ultrapassa os aspectos arquitetônicos dos edifícios e envolve a relação da população com o espaço cultural. “O Teatro Amazonas pertence ao povo do Amazonas e, hoje, ao mundo”, afirmou.

Representantes do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) ressaltaram o papel dos teatros na preservação da memória e na compreensão da formação social da Amazônia. A avaliação apresentada durante a cerimônia também relacionou os espaços à trajetória cultural da região e às manifestações artísticas que fazem parte de sua identidade.

A cerimônia contou com a participação do governador Roberto Cidade; do prefeito de Manaus, Renato Júnior; do secretário de Estado de Cultura e Economia Criativa, Caio André; da representante da Unesco no Brasil, Marlova Noleto; do presidente do Iphan Nacional, Deyvesson Gusmão; representante do Ministério das Relações Exteriores, Tatiana Carvalho; Cantanhede; Diretor do Theatro da Paz, Edyr Augusto Proença; Diretora do Departamento de Patrimônio Material e Fiscalização (DEPAM), Elisa Taveira; superintendente do Iphan no Amazonas, Beatriz Calheiro; superintendente do Iphan do Pará, Cristina Vasconcelos, entre outras autoridades e representantes da sociedade civil.

Cerimônia em Belém

A programação de reconhecimento dos Teatros da Amazônia também terá uma cerimônia no Theatro da Paz, em Belém, no Pará, prevista para o dia 6 de novembro. O evento dará continuidade às celebrações do título concedido conjuntamente aos dois equipamentos culturais.

Primeiro Patrimônio Mundial Cultural da Região Norte

Com a inscrição dos Teatros da Amazônia na Lista do Patrimônio Mundial, o Brasil passa a contar com 26 sítios reconhecidos pela Unesco, sendo 16 culturais, nove naturais e um misto.

Para o Amazonas, o reconhecimento representa mais do que um título internacional: consolida o Teatro Amazonas como um patrimônio de valor universal e reafirma o protagonismo da cultura amazônica no cenário mundial, projetando a riqueza histórica, artística e arquitetônica da região para as futuras gerações.