Prefeitura de Manaus fortalece a rede de diagnóstico de malária na capital amazonense
27/10/2026 16h25
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#paratodosverem – Teste rápido de malária
A Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa), está ampliando a rede de unidades que oferecem diagnóstico e tratamento da malária na capital amazonense. Esta é uma estratégia que vem sendo reforçada desde 2025, com a ampliação do serviço para 81 estabelecimentos municipais, incluindo unidades das zonas urbana e rural. A previsão é ampliar ainda mais esse quantitativo para 106 no primeiro semestre de 2027, com a perspectiva de alcançar todas as unidades da rede municipal até o final do próximo ano.
A iniciativa integra as ações de vigilância e controle da doença no município e tem como principal objetivo facilitar o acesso da população ao diagnóstico precoce, permitindo o início do tratamento em até 48 horas após o aparecimento dos sintomas. “É um período crucial para tratar a doença, antes do agravamento dos sintomas”, explica Viviana Cláudia de Paula Conceição, responsável técnica pelas ações de Vigilância Epidemiológica da Malária da Semsa.
A ampliação é viabilizada principalmente pela disponibilização, pelo Ministério da Saúde, dos testes para malária, tanto os testes rápidos quanto os chamados de “gota espessa”, que permitem identificar a presença da infecção.
“Apesar da infecção acontecer principalmente na área rural, nos balneários, nos sítios e nas áreas de mata, as pessoas moram na cidade. O período de incubação da malária pode levar vários dias e, quando começam a apresentar sintomas, elas procuram a unidade de saúde mais próxima de casa. Por isso, precisamos oferecer o diagnóstico também na área urbana, para não perder a oportunidade de iniciar o tratamento”, explica Viviana.
Atualmente, os exames para detecção da malária estão disponíveis em 43 pontos de Manaus, distribuídos em todos os distritos de saúde da zona urbana e em outros 38 pontos da zona rural.
Para 2027, o planejamento prevê alcançar a cobertura integral das unidades dos Distritos de Saúde Norte e Oeste no primeiro semestre, avançando para os Distritos Leste e Sul na segunda metade do ano.
“A nossa meta é que todas as unidades ofereçam o teste e que a pessoa com suspeita de malária possa chegar à unidade e fazer o exame imediatamente. Queremos identificar esses casos na atenção primária, antes que se agravem e as pessoas precisem procurar uma UPA ou um SPA”, destaca Viviana.
Além da disponibilização dos testes, a implementação do serviço envolve a capacitação das equipes das unidades de saúde, incluindo profissionais da recepção, enfermagem, medicina, farmácia e gestão.
Cenário epidemiológico
A ampliação da rede ocorre em um contexto de aumento dos casos de malária em Manaus. De acordo com dados da Vigilância Epidemiológica da Semsa, até o dia 23 de outubro deste ano foram registrados 6.177 casos de malária com local provável de infecção no município.
Do total de casos identificados neste ano, 62 ocorreram em gestantes, 498 em idosos e 702 em crianças. A maior concentração dos casos totais está no Distrito de Saúde Leste, especialmente nas regiões dos ramais do Brasileirinho e do Puraquequara, onde a expansão da ocupação humana em áreas próximas à mata tem contribuído para o aumento da exposição ao mosquito.
Viviana explica que a transmissão da malária ocorre principalmente nas áreas rurais e periurbanas, que fazem a transição entre a cidade e os ambientes de floresta. No município, há registros de transmissão nas zonas Norte, Leste e Oeste, especialmente nas regiões próximas a áreas de mata e igarapés.
“A gente precisa atuar em duas frentes: no combate ao mosquito e na interrupção da cadeia de transmissão, que acontece por meio do diagnóstico e do tratamento das pessoas infectadas. Quando uma pessoa está com malária e é picada pelo mosquito transmissor, esse mosquito pode se infectar e transmitir a doença para outras pessoas. Por isso, é fundamental identificar e tratar os casos o mais rápido possível”, ressalta.
A malária é causada por parasitas do gênero Plasmodium, transmitidos pela picada de fêmeas infectadas de mosquitos do gênero Anopheles, conhecidos popularmente como “mosquitos-prego”. Diferentemente do mosquito da dengue (Aedes), o transmissor da malária se desenvolve em ambientes aquáticos associados a áreas naturais e apresenta maior atividade em determinados horários, especialmente no início da manhã e no fim da tarde.
No Amazonas, a transmissão da doença costuma aumentar durante o verão amazônico, especialmente entre junho e setembro, período em que a população também intensifica a frequência a balneários, sítios e outros espaços próximos à mata.
Diagnóstico e prevenção
Entre os principais sintomas da malária estão febre, calafrios, dor de cabeça, dores no corpo, fraqueza, náuseas e vômitos. Entretanto, a doença nem sempre apresenta todos esses sinais simultaneamente, o que pode dificultar sua identificação.
Por isso, a orientação da Semsa é que pessoas que apresentem febre ou outros sintomas sugestivos da doença, especialmente após frequentarem áreas rurais, balneários, sítios ou regiões de mata, procurem uma unidade de saúde que ofereça o diagnóstico da malária.
A população pode solicitar diretamente o exame na recepção das unidades que disponibilizam o serviço, sem necessidade de consulta médica prévia. Em caso de resultado positivo, o usuário é encaminhado para avaliação e início do tratamento, disponibilizado gratuitamente pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
A Semsa também reforça a importância das medidas individuais de prevenção, como o uso de repelentes, roupas de mangas compridas, calças e outros itens de proteção ao frequentar áreas de transmissão, além de evitar a exposição aos mosquitos nos horários de maior atividade.
Outra medida adotada pela secretaria é a inclusão do exame de malária na rotina do pré-natal, mesmo para gestantes sem sintomas. A estratégia busca identificar infecções assintomáticas e reduzir o risco de complicações durante a gravidez.
“A pessoa que esteve em uma área de transmissão, mesmo que tenha sido há algumas semanas, e começa a apresentar febre, precisa fazer o exame. Muitas vezes ela não associa os sintomas ao local que visitou. Quanto mais cedo identificarmos a doença, maiores são as possibilidades de evitar complicações e interromper a transmissão”, orienta Viviana.
A relação das unidades municipais que oferecem diagnóstico e tratamento da malária, com endereços e horários de funcionamento, está disponível no site da Semsa, no link: https://www.manaus.am.gov.br/semsa/unidades/malaria/.

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Texto e fotos – Samuel Simões Neto/Semsa








