Decisão determina distância mínima de 200 metros da candidata a vice-governadora, proíbe qualquer tipo de contato e suspende a posse e restringe o porte de armas dos dois políticos.
MANAUS (AM) – A Justiça Eleitoral do Amazonas determinou medidas protetivas contra o vereador Sargento Salazar (PL), eleito deputado federal, e o ex-candidato a deputado estadual Kidson Maia (PL), após uma denúncia de ameaça apresentada pela deputada estadual e candidata a vice-governadora Alessandra Campêlo (PSD).
A decisão, assinada na quarta-feira (14) pela juíza eleitoral Bárbara Folhadela Paulain, estabelece que os dois políticos mantenham distância mínima de 200 metros da parlamentar. A determinação ocorre após um episódio registrado durante o debate eleitoral realizado na terça-feira (13), em Manaus.
Além do afastamento, a magistrada determinou a suspensão da posse e a restrição do porte de armas de fogo de Salazar e Kidson. Ambos também estão proibidos de estabelecer qualquer contato com Alessandra, seja pessoalmente, por telefone, e-mail, aplicativos de mensagens ou redes sociais.
Restrições também valem para eventos políticos
A decisão judicial estabelece ainda que Salazar e Kidson não poderão frequentar ou permanecer nos bastidores e nas áreas reservadas às comitivas de eventos, debates e atos políticos dos quais Alessandra Campêlo participe.
A presença dos dois em espaços de acesso público continua permitida, desde que seja respeitada a distância mínima estabelecida pela Justiça e não ocorra qualquer tentativa de contato com a candidata.
As medidas foram concedidas após a parlamentar apresentar uma representação criminal à Justiça Eleitoral, relatando ter sido vítima de intimidação durante o debate entre os candidatos ao Governo do Amazonas.
Gesto de degola durante debate motivou denúncia
O episódio que deu origem à denúncia ocorreu na terça-feira (13), quando câmeras da transmissão do debate registraram Kidson Maia fazendo um gesto que simulava o corte do próprio pescoço, interpretado por Alessandra Campêlo como uma ameaça de morte dirigida a ela.
A deputada afirmou ter se sentido intimidada e procurou a Delegacia Especializada em Crimes contra a Mulher para registrar um boletim de ocorrência.
Questionado por jornalistas ainda no local do debate, Kidson não apresentou uma explicação direta sobre o gesto. Ele questionou os profissionais de imprensa sobre a existência de provas e, em seguida, foi retirado do ambiente por um advogado.
O caso ganhou repercussão no cenário político amazonense, em meio à campanha do segundo turno das eleições estaduais.
Medidas têm caráter preventivo
As determinações judiciais buscam preservar a integridade e a segurança da candidata enquanto o caso é analisado pelas autoridades competentes.
A concessão das medidas protetivas não representa uma condenação criminal dos envolvidos. A eventual responsabilização dependerá da apuração dos fatos e dos procedimentos legais cabíveis.
Após a decisão, a equipe da Deputada Alessandra Campelo emitiu nota oficial sobre o assunto:
NOTA OFICIAL
A Justiça Eleitoral que concedeu medidas protetivas em meu favor após as ameaças feitas a mim durante o debate da TV Norte, decisão que recebo com serenidade.
Ameaças, intimidações e gestos de violência não podem ser tratados como brincadeira ou algo comum. Procurei as autoridades, denunciei os fatos e confiei na Justiça.
Mais do que uma decisão relacionada à minha proteção individual, considero que este episódio deve cumprir um papel pedagógico diante de uma realidade violenta que atinge milhares de mulheres todos os dias.
Nenhuma mulher deve aceitar a violência ou a intimidação em silêncio, independentemente de quem seja o agressor ou do espaço que ocupe.
Continuarei exercendo minhas funções, participando da campanha e defendendo aquilo em que acredito.
Divergências políticas fazem parte da democracia. Ameaças e intimidação, não!
Alessandra Campelo
Deputada estadual e candidata a vice-governadora do Amazonas








