Prisão ocorreu na véspera das eleições; dinheiro, material de propaganda e documentos foram apreendidos durante abordagem na Zona Oeste
Um homem de 39 anos foi preso em flagrante em Manaus após ser encontrado com R$ 70,8 mil em dinheiro, grande quantidade de material de propaganda eleitoral e uma lista contendo nomes e números de telefone. O caso é investigado pela Polícia Federal por suspeita de compra de votos.
A ocorrência começou na noite de sábado (3), véspera do primeiro turno das Eleições 2026, durante uma abordagem realizada por policiais militares a um veículo na Zona Oeste da capital.
Segundo a Polícia Federal, dentro do carro foram encontrados os R$ 70.800 em espécie, além de santinhos de candidatos e documentos contendo dados de terceiros.
Após a abordagem, os ocupantes do veículo foram conduzidos à Superintendência da Polícia Federal no Amazonas. Depois da análise do material, a situação de um deles foi convertida em prisão em flagrante.
A PF informou que o homem foi autuado, em tese, pelos crimes de corrupção eleitoral e falsidade ideológica eleitoral.
Santinhos de dois candidatos
Informações obtidas durante a apuração apontam que entre os materiais apreendidos havia propaganda dos candidatos a deputado estadual Dr. Eduardo Assis (Avante) e a deputado federal Adail Filho (MDB).
Também foram encontrados cadastros contendo nomes, números de telefone e outros dados pessoais, além de envelopes identificados com nomes e valores em dinheiro separados.
A apreensão do material de campanha, por si só, não estabelece participação ou responsabilidade dos candidatos. A investigação busca esclarecer a origem do dinheiro, sua destinação e se os valores tinham relação com alguma candidatura ou eventual esquema de obtenção de votos.
Preso apresenta versão sobre dinheiro
O homem identificado nas apurações como o personal trainer Igson de Farias Pinto negou que os R$ 70,8 mil fossem destinados à compra de votos.
Em depoimento, ele afirmou que o dinheiro pertencia à própria empresa e seria resultado de serviços de logística realizados ao longo de aproximadamente cinco ou seis meses. Segundo sua versão, os recursos seriam utilizados para o pagamento de funcionários.
Ele também negou trabalhar oficialmente para candidatos e afirmou que os materiais eleitorais encontrados no veículo teriam sido entregues por conhecidos.
Essa versão será confrontada com os demais elementos reunidos pela investigação.
Celular apreendido
O telefone celular do investigado também foi apreendido. A Polícia Federal pediu autorização judicial para acessar os dados armazenados no aparelho e aprofundar a apuração.
O objetivo é verificar possíveis informações que ajudem a esclarecer a origem e a finalidade do dinheiro e eventual participação de outras pessoas.
Um estudante de 22 anos que estava no veículo também foi conduzido durante a ocorrência, mas posteriormente liberado após não serem encontrados, segundo as informações disponíveis, elementos suficientes indicando participação dele nas condutas investigadas.
Liberdade provisória
Neste domingo (4), após audiência de custódia, a Justiça Eleitoral concedeu liberdade provisória ao investigado mediante medidas cautelares.
Entre as condições estabelecidas está o pagamento de fiança equivalente a 40 salários mínimos.
A decisão não encerra o caso. A Polícia Federal continua investigando a origem e a possível destinação dos R$ 70,8 mil, bem como a relação entre o dinheiro, as listas apreendidas e o material de campanha encontrado no veículo.
A investigação também deverá esclarecer se outras pessoas tiveram participação nos fatos.








