Cema alcança o maior nível de abastecimento de todos os tempos

O número de dispensações do Ceaf saiu de 7.707 por mês, em janeiro de 2019, para 17.403, em novembro de 2025

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A Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) alcançou, nos últimos anos, níveis históricos de abastecimento. Os números refletem-se não apenas nos hospitais, como também nos pacientes que precisam de medicamentos de alto custo para tratamento em casa. Para esses, houve um expressivo aumento de 128% no número de dispensações, entre 2019 e 2025.

De acordo com a Secretaria de Estado de Saúde (SES-AM), em janeiro de 2019, início da gestão do governador Wilson Lima, foram registrados 7.707 atendimentos na Cema pelo Componente Especializado da Assistência Farmacêutica (Ceaf), programa que atende indivíduos que necessitam de medicamentos de alto custo para o tratamento de condições de saúde específicas, como doenças autoimunes, transplantados e transtornos mentais. Em novembro de 2025, foram registrados 17.403 atendimentos.

A secretária de Estado de Saúde, Nayara Maksoud, ressalta que os avanços passam por várias estratégias que envolvem a compra em maiores quantidades para manter os níveis de estoques, até a descentralização do Ceaf para as unidades onde os pacientes, que necessitam do SUS para dar continuidade ao tratamento, são assistidos. A expansão do Ceaf, disse ela, também acontecerá no interior. “A Cema nunca esteve tão bem abastecida. E, hoje, o paciente tem a facilidade de receber a medicação dele na unidade onde faz o acompanhamento, reduzindo deslocamentos e tornando o processo mais ágil e eficiente para quem depende dos tratamentos contínuos”, explicou.

A mudança tem impacto direto na rotina de pacientes como Jucimar Azevedo Leal, 60, que trata uma doença autoimune e retira mensalmente o medicamento Secuquinumabe na Fundação Adriano Jorge. Ele relata que o atendimento regular tem sido fundamental para manter o controle da doença.

“Eu sinto muitas dores nos ossos e tenho que tomar essa injeção para amenizar as crises. Eu agradeço a Deus pela médica que tenho e pelo remédio não faltar, porque é um medicamento de alto custo. A bioquímica liga para mim, manda mensagem; eu pego minha caixa de isopor, minha bolsa de gelo e vou lá buscar. Eu pego todo dia 3 de cada mês”, relata o paciente.

Segundo a coordenadora da Cema, Herbenya Peixoto, a regularidade nos estoques da Cema é resultado de medidas adotadas pela SES-AM nos últimos anos, incluindo melhorias logísticas, fortalecimento das rotinas de monitoramento e acompanhamento permanente dos itens da lista de medicamentos.

“Hoje, o nosso abastecimento é considerado o melhor dos últimos anos. A gente vem investindo bastante em melhoria dos fluxos internos de trabalho, melhor interação com os nossos fornecedores, organização de agendamento e uma programação mais refinada de contas. Isso é fruto de toda uma reorganização que permitiu alcançar esse nível”, destacou a coordenadora.

Ainda segundo a coordenadora, o estoque só não é maior porque o cenário da indústria farmacêutica no Brasil oscila entre a oferta e a escassez de matéria-prima, mantendo o mercado, muitas vezes, inseguro na produção e aquisição de insumos em escala nacional. Porém, afirma, todos os itens da relação padrão de medicamentos possuem protocolos de substituição para que os pacientes não fiquem desassistidos quando há desabastecimento de algum item no mercado.

FOTO: Antonio Lima/Secom

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