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Crédito da AFEAM à detentos é apelidado de “bolsa-bandido”

O deputado estadual Wilker Barreto (PHS) usou a tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam), na manhã desta terça-feira (19), para mostrar o total descontentamento com a liberação de crédito de R$ 500 mil da Agência de Fomento do Estado do Amazonas (Afeam) para os presos do regime semiaberto, egressos do sistema penitenciário do Estado. O montante visa os detentos a constituírem seus próprios negócios.

De acordo com o parlamentar, que tem levado diariamente à Casa a discussão em torno da melhoria da saúde no Amazonas, o governador Wilson Lima está cumprindo com a promessa feita na campanha de 2018. Na época, o vice-governador Carlos Almeida sinalizou para que a indenização individual de R$ 50 mil fosse paga à família de cada preso assassinado na rebelião de 01 de janeiro de 2017.

“Hoje falo de um tema que não está revoltando a mim, mas a população. Fico estarrecido com os sucessivos erros de um governo que já rotulei de atabalhoado. A Afeam vai emprestar R$ 500 mil para os presidiários. Isso significa que em 50 dias de governo, o governador Wilson Lima cumpre a primeira promessa de campanha: ‘o bolsa-bandido’. Ninguém acreditava que iria sair do papel, mas está aqui. É a primeira promessa de campanha cumprida pelo governo em 50 dias”, criticou.

Ainda na tribuna, Wilker declarou que o repasse financeiro vai facilitar o trabalho do crime organizado. “O Governo vai estar financiado o crime contra a própria sociedade. O que defendo é que as linhas de crédito da Afeam sejam reformuladas. O que sustenta uma economia é a pequena, média e microempresa. É preciso rever a linha de crédito da Afeam que só pega calote. Isso é uma afronta à sociedade amazonense”, afirmou.

Oportunidade de emprego

Crítico ao governo, o parlamentar que é economista por formação, aproveitou para dar uma sugestão ao governador Wilson Lima. “Temos que condicionar as empresas que realizam empréstimos junto à Afeam para que ofereçam um percentual de vaga em carteira assinada. Aquele que quiser trabalhar vai ter sua cota nas empresas que foram emprestar dinheiro da Afeam. O que não pode é termos uma afronta dessas contra a sociedade amazonense. Só quero que o Estado seja uma mão amiga para aquele que está preso volte ao mercado de trabalho com uma oportunidade de emprego”, pontuou.

Saúde, FTI e TFD

 Sem deixar a pauta saúde de lado, Wilker Barreto ainda falou sobre o Tratamento Fora de Domicílio (TFD) e destacou que muitos amazonenses estão passando por dificuldades sem  poder usufruir do benefício, que é concedido  pela Secretaria de Estado de Saúde (Susam).

Um dos casos relatados pela mídia é da pequena Sarah Soledade Soares Silva, de 4 anos. A garota foi diagnosticada com Tumor de Wilms, uma espécie de câncer, no rim direito, e está internada em um hospital de Barretos, em São Paulo, apenas aguardando o momento da cirurgia. Entretanto, a família não consegue custear o tratamento.

“Fico muito preocupado e faço mais uma vez um apelo ao Governo e vou dar uma sugestão: os pacientes estão sem TFD e tem R$ 3 milhões empenhados para o Tratamento. Se pagou em janeiro R$1 milhão, mas é visível que o valor não está sendo insuficiente. A sugestão que eu faço é que pegue o R$1,2 milhão de Buffet às necessidades da Casa Civil e remaneje esse valor em urgência ao TFD e salve vidas. Isso é atitude. Quando vejo um Governo que não tem planejamento, isso me entristece”, disse Barreto.

O parlamentar ainda apresentou notificações do Ministério Público do Amazonas (MP-AM) e afirmou que a Susam deixou de ir a reuniões importantes e decisivas para o sistema de saúde, incluindo pautas como o cumprimento do Programa Nacional de Triagem Neonatal, bem como da realização do teste do pezinho. “Foi para a reunião a FGV, Hemoam, Semsa e a Susam não esteve presente”, disse o Humanista.

Quanto ao FTI (Fundo de Fomento ao Turismo, Infraestrutura, Serviços e Interiorização do Desenvolvimento do Amazonas), Wilker Barreto foi categórico ao afirmar que o Governo pode poupar o interior do Estado e utilizar a reserva de contingência. A Mensagem Governamental visa remanejar R$ 350 milhões em recursos do FTI para pagar a dívida da saúde no Estado.

“Nós não precisamos sacrificar o interior. O correto é encontrar solução dentro do próprio orçamento. Tenhamos a coragem de não permitir que essa Casa faça empréstimo para um Governo que não tem competência para gestão. Por isso, eu solicito que mande o projeto usando recurso da reserva de contingência, que tem previsto no orçamento R$417 milhões, pois assim não precisamos neste momento sacrificar o FTI. O dinheiro do FTI não está em caixa, como também a reserva de contingência é aprimorada durante o exercício. Qual o motivo de sacrificar o interior se existe a prerrogativa do gestor em usar a reserva para socorrer a saúde. Por acaso o FTI não é importante?”, indagou.

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